O muro

  A minha nova teoria diz que nós somos com um muro: por baixo, nos alicerces, estão aquelas pedras grandes, fortes, que são a chave para manter tudo o resto de pé. Depois, seguem-se camadas e camadas de pedras mais pequenas, mais ou menos encaixadas e heterogéneas. Resumindo, quando tiramos/nos tiram uma dessas pedras mais pequenas, os danos não são muito grandes, às vezes nem se notam, e seguimos em frente, com uma pequena quebra. Mas, no entanto, se uma dessas pedras da base sai, nem sempre todo o muro se mantém de pé.

 

  São raras as vezes que a construção está feita de tal maneira, que a saída de uma dessas pedras de suporte, é colmatada pelas restantes.

 

  Depois, com o tempo, perfilam-se candidatos: uns não encaixam, outros não têm tamanho suficiente, outros simplesmente não querem a função. E a falha lá continua, talvez mais pequena, talvez alguém já lá tenha deixado o seu testemunho e o buraco seja menor, mas continua.

 

  Agora imaginem, o que seria cair outra pedra?

publicado por Rita Matias às 12:54 | link do post