Mortes e afins

  Não, isto não é propriamente um post mórbido, mas venho falar da morte. Opá, porque sinceramente, eu até nem encaro a morte de um modo muito mau, seguindo o meu ponto de vista.

 

  Todos morremos um dia, é mais do que certo, por isso, para quê ter medo disso? Não há maneira de correr mal!

  Para mim, este é mais um dos estigmas que a sociedade nos impõe, o medo à única coisa que temos certa na vida. No entanto confesso que há uma coisa que me chateia na ideia da morte: é a ideia que de pode não se ter vivido o suficiente antes dela chegar. Isso sim, é que é um problema. Afinal de contas, andamos cá é para viver, não é simplesmente para morrer!

 

  Portanto, no fundo, a morte é uma mera fase da vida, o seu fim. Tudo tem um fim, o que não quer dizer que acabe, pode haver uma mudança de estado, de condições, e o que havia antes deixa de existir e passamos a ter uma nova realidade.  Se virmos bem as coisas, é o que acontece nas relações com as pessoas. Só não nos relacionamos com quem nunca conhecemos. De resto, mesmo que não falemos durante anos e anos, houve algo na nossa vida com essa pessoa, ela fez parte de um pedacinho de nós, deixou a sua marca, as suas recordações, mas depois as coisas modificaram-se, mas, caso haja reencontro não é o mesmo que nunca a tenhamos conhecido, logo, o que era antes acabou e ficamos com algo diferente, que nem aquece nem arrefece, mantendo-se assim até que algo o mude.

 

  Retomando o assunto. Morrer, para quem sente que já viveu o suficiente, costuma-se dizer que é apenas a próxima aventura. Espero encarar assim a morte daqui a uns anos, até lá ando preocupada em viver o máximo pois se há coisa que tenho sempre presente é que podemos morrer em qualquer altura. Olhem que isto não é num mau sentido, até é bom, mantém-me alerta para o que interessa, para aqueles que me rodeiam, e talvez seja uma das causas de quase sempre me dar por completo aos outros. Nunca se sabe quando é que ela chega, essa malandra!

  Quero poder um dia hipoteticamente dizer que morri em paz, com tudo aquilo que era mais importante para mim experienciado e vivido, com a consciência minimamente limpa e o coração aberto.

 

  Quanto à vida depois da morte, sendo Cristã supostamente acreditaria afincadamente nisso, mas penso que a minha ideia é um pouco diferente dos dogmas. Basicamente, continuamos "a viver" enquanto aqueles que conhecemos ainda vivem e têm recordações de nós, para além disso, não faço a menor ideia, e tenho a declarar que até estou bastante curiosa. Uma coisa é certa, vou obter a resposta.

 

 

  Resumindo, não, quando eu falo de morte assim à vontade não estou com instintos suicidas, simplesmente já matei alguns neurónios a pensar nestas coisas e tento lida da melhor maneira com elas, sem preconceitos.

publicado por Rita Matias às 23:20 | link do post