Cicatrizes

  Hoje reparei numa pequena marca no meu braço, resultado da luta entre uma mala bem pesada e dada a trambolhões com a sua dona que há quase 15 dias ansiava ir para Oleiros. Foi só um pequeno arranhão, nada de significante, e ainda assim, o meu corpo apresenta a sua marca, a cicatriz daquele pequeno incidente.

 

  Ao longo da vida vencemos obstáculos, caímos, derrubamos murros, tropeçamos, ganhamos lições, perdemos a inocência... E tudo isso deixa marcas, como a vontade incomensurável que tenho de estar na minha casa, com os meus pais, de conseguir encontrar-me com o meu mano, de que tantas coisas não tivessem não acontecido no mês que passou.

 

  E as marcas não são só fisícas.

  Pode parecer romantizado dizer que todos temos cicatrizes da alma, mas essa é a melhor maneira de as descrever, esse pequenos pedaços de nós que ficam destroçados, irreconhecíveis do que eram antes. Não há borracha nem remédio milagroso que as apague.

 

  Quem as conhece e aceita, sabe que elas são talvez o melhor diário da nossa vida, as nossas cicatrizes, e sabe também que o maior privilégio, a maior prova de confiança, é pô-las a descoberto.

publicado por Rita Matias às 20:18 | link do post