Interlúdio

Não gosto desta semana, entre o Natal e o Ano Novo. Como não gosto do dia de 24 de Dezembro, só da noite.

 

Estamos a meio, entre uma festa e outra, e as férias vão para a segunda metade. E costumo agarrar-me à nostalgia nestes dias.

 

 

 

 

Às vezes basta uma pequena constatação de factos para o nosso humor cair bastantes degraus. Aconteceu-me isso à minutos. A constatação da distância que se impôs entre mim e muitos, a distância a que estou daqueles que agora me acompanham, a distância daqueles que não mais estarão junto a mim.

 

Apesar de estar em casa, desta vez ninguém insurgiu e quis um reencontro. Desculpas como, ai e tal tivemos juntos no meio do semestre, ai e tal tenho de estudar, ai e tal a família está cá, nunca pegam comigo. Talvez porque, como já disse muitas vezes, costumo por os meus amigos á frente de quase tudo, por vezes mesmo da família, e, inocentemente, tendo a exigir o mesmo dos outros. Então, e porque quem se queixa sem nada fazer para resolver os problemas é simplesmente um cobarde, pus as mãos à obra e se Deus quiser vejo as minhas meninas na quinta. Tenho saudades do tempo em que as nossas conversas não giravam em torno das nossas vidas académicas, em que não repetíamos as mesmas histórias sobre ser caloiro ou doutor a cada encontro, tenho saudades do tempo em que não estávamos sempre a lembrar a distância a que estávamos, porque simplesmente, ela não existia. Sei que tenho parte da culpa, que provavelmente não sou a pessoa mais fácil para manter o contacto, mas elas continuam cá, no meu coração, e às vezes sinto tanto a falta das nossas parvoíces...

 

Depois, contra tudo o que eu desejava, é em Lisboa que encontro aqueles que agora me apoiam, me ouvem rir, me fazem rir. E estar longe, tambem custa um pouco, não tanto, é certo, mas sinto a falta deles. Agora com a época de exames vai ser díficil juntar esta gente também.

 

Por último, o fim de ano, e em parte o facto de estar em casa, relembraram-me aqueles que já partiram. Primeiro foi quando me lembrei da Prof. Júlia. Ela fazia anos dia 31 de Janeiro. Mais um aniversário que não faz. Depois foi a minha avó paterna. A música de Natal que todos os anos é tocada na missa do Galo, era também a música com que ela me embalava nas raras vezes em que dormimos juntas. Já passaram 7 anos. Ela não me viu a entrar na Faculdade, nem o nascimento da Mariana, nem a queima das fitas da Inês e da Ana... Ela já perdeu tanto, tanto. Ou melhor, nós perdemos. Mas tenho a certeza que lá no alto, ela não podia estar mais orgulhosa.

 

 

Bom ano novo.

publicado por Rita Matias às 01:19 | link do post | comentar