Confiança

Não sei se é um problema meu, ou apenas do feitio, mas não consigo confiar em quem não confia em mim. Em parte porque se alguém não se sente suficientemente à vontade para me "incomodar" as tantas da noite, também não estará disposto a que eu faço o mesmo. Mas principalmente porque a confiança não é algo vivido a uma só voz, mas sim a duas. Nasce gradualmente, cresce e tem de ser mantida.

 

É exactamente esse o problema, a manutenção. Talvez não seja apenas uma problema de confiança, mas comigo as relações tendem a estagnar até a um patamar em que ninguém diz nada porque acha que não interessa ao outro, porque pensa que vai incomodar, porque as pessoas deixam de ter a mesma receptividade e disponibilidade, porque a vida assim o proporciona e as pessoas não lutam contra a maré.

 

Isto deixa-me triste. Triste e um pouco só também. Se uma pessoa não nos procura, não vê em nós uma ajuda, quem somos nós para a procurar? Sinceramente, nestas alturas começo simplesmente a sentir que estou a mais, que estou a estorvar os outros, e, portanto, fico quieta no meu canto.

 

A confiança alimenta-se, mas o mais espantoso é o facto de sobreviver a longos períodos de fome. Basta as pessoas querem.

 

A confiança não desaparece do nada, eis a minha esperança.

publicado por Rita Matias às 13:14 | link do post | comentar