300 km

  Pronto, talvez não cheguem a ser 300, mas está perto.

 

  É essa a distância que separa o corpo do coração.

 

  Partimos, ficamos distantes mas deixamos para trás mais do que saudades. O coração fica onde ele deve de estar, junto de quem ama e dos que o amam. Por isso o meu está a quilómetros de distância, perdido entre serras, no frio quente da minha doce terra. Talvez por isso o espírito natalício ainda não exista em mim.

  Não sou daqui, nem tenciono ser. Por mais longe que viva, por mais tempo que passe, sou das serras e do frio, das lareiras e dos chocolates quentes, do vento e dos cabelos despenteados, dos mimos da mamã e do papá, das tardes passadas sem nenhuma preocupação...

 

  E agora que tenho (ainda mais) consciência disto, não quero trazer o meu coração comigo, nem parte dele, pois caso contrário, não voltará a estar inteiro.

publicado por Rita Matias às 17:46 | link do post | comentar