Prognósticos só no fim do jogo

  Há dias em que sentimos a eminência de algo grandioso, de uma tempestade ou de largos dias de bonança, dias que marcam a mudança, que viram-nos a vida do avesso e deixam-nos sem pé. Há dias assim, mas nenhum deles é hoje.

  Daqui a poucas horas (tudo depende do referencial, não é stora?), a minha vai mudar. E não é apenas o sítio onde vou passar a maior parte do tempo, nem as companhias, nem a rotina, eu vou mudar.

  Resumindo o futuro assusta-me. Este ano serviu exactamente para isto, para eu perceber quanto medo tenho do futuro. Ainda há uns dias ouvi na radio que faltavam 100 dias para o final do ano, e eu, olhando para o passado, vi 265 dias cheios de angustias, de medos, de alegrias, de momento sublimes, de carinho, de brincadeira, de risos, de dor, de choro, de esperança.

 

  O medo está e estará sempre lá, sempre comigo, em qualquer presente da minha vida, mas eu não me posso reger por ele. Porque como no amor, ninguém guia ninguém. Vamos antes de mão dada, acompanhando-nos mutuamente.

  É bonito pensar assim, viver é que é difícil. Talvez seja por isso que esquecemos o medo e preferimos a ignorância. A vida é tão mais fácil para aqueles que não querem ver.

 

  E eu? Um dia de cada vez, Rita, um de cada vez.

 

  O ciclo fecha-se, e tanta vida não parece caber em apenas 265 dias.

música: Jump Rope, Blue October
publicado por Rita Matias às 23:36 | link do post | comentar