A idade do fim dos contos de fadas

  Sabem qual é o maior desafio que temos de encarar na vida?

 

  Mantermo-nos verdadeiros.

 

 

 

  Nos últimos dias apercebi-me de uma coisa - cresci. Não é que eu nunca me tivesse apercebido disso, mas tudo se tornou mais claro. Senti verdadeiramente que cresci, que já não sou a criança inocente de alguns anos atrás. Olho para a frente e vejo as responsabilidades que me esperam com alguma apreensão. É difícil ser-se adulto, e sobretudo não esquecer-se de ser criança.

 

  Sempre analisei exaustivamente o mundo à minha volta, e agora não consigo vê-lo de um modo positivo. A verdade doí e eu tenho nojo de viver numa sociedade por vezes tão perdida como a nossa. Esquecemo-nos do que realmente importa, esquecemo-nos de enfrentar a vida e agarramo-nos ao comodismo de não fazer nada. Revolta-me aqueles que protestam mas não fazem nada, principalmente por também eu ser um deles.

  Hoje (bem, já é ontem, mas eu anda não me deitei), comemora-se mais um 25 de Abril, mais um ano em que Portugal viveu em liberdade. E eu, vendo e ouvindo os telejornais, não posso deixar de me identificar com aqueles velhotes que resmungam e dizem que agora há liberdade a mais. Perdemos a noção dos limites, cada vez mais frequentemente. E sempre que me chega aos ouvidos outra história degradante eu lembro-me de uma frase que marcou a minha infância - "A nossa liberdade acaba onde começa a dos outros".

  Debati-me durante muitos anos sobre a credibilidade e veracidade de tal afirmação. Se assim é, como sabemos onde é o começo e o fim? Onde é o limite? Só depois percebi que não sabemos, e esse é o problema. Cada um tem a sua ideia de onde está o limite, e ainda há aqueles que julgam não haver limite algum.

 

  Quando reflectimos sobre o estado actual do mundo é impossível não considerar a hipótese de uma nova revolução, de uma mudança drástica no modo de governação deste nosso país. A verdade é que se isso acontece-se, tudo ficaria na mesma, sem tirar nem por.

 

 

 

 

  O problema está em nós, não nos outros.

  Mas isso é uma realidade demasiado dura para admitir.

música: Dirt Room - Blue October
publicado por Rita Matias às 00:26 | link do post | comentar